O que querem fazer à nossa liberdade? – Uma reflexão sobre um Autocaravanismo Responsável

A partir de Janeiro de 2021, vão entrar em vigor, alterações ao código da estrada, publicadas em Diário da Republica, no dia 9/12 e que  visam restringir em muito, as liberdades de todos os autocaravanistas e utilizadores de Vans em Portugal.

A imposição destas novas regras, bem como o panorama nacional do autocaravanismo , levou-nos a escrever este texto em forma de reflexão.

Do Decreto-Lei n.º 102-B/2020 , destacamos o seguinte:

”Artigo 50.º-A

Proibição de pernoita e aparcamento de autocaravanas

1 – Sem prejuízo do disposto nos artigos 49.º e 50.º, são proibidos a pernoita e o aparcamento de autocaravanas ou similares fora dos locais expressamente autorizados para o efeito.

2 – Para efeitos do disposto no número anterior, considera-se:

a) «Aparcamento», o estacionamento do veículo com ocupação de espaço superior ao seu perímetro;

b) «Autocaravana ou similar», o veículo que apresente um espaço habitacional ou que seja adaptado para a utilização de um espaço habitacional, classificado como «autocaravana», «especial dormitório» ou «caravana» pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, I. P.;

c) «Pernoita», a permanência de autocaravana ou similar no local do estacionamento, com ocupantes, entre as 21:00 horas de um dia e as 7:00 horas do dia seguinte.

3 – Quem infringir o disposto no n.º 1 é sancionado com coima de (euro) 60 a (euro) 300, salvo se se tratar de pernoita ou aparcamento em áreas da Rede Natura 2000 e áreas protegidas, caso em que a coima é de (euro) 120 a (euro) 600(euro).”

Se havia dúvidas quanto à abrangência destas novas regras,  a publicação do governo veio esclarece-las, as autocaravanas e similares passam a estar proibidos de pernoitar fora de ASA’s, zonas exclusivas para AC’s e Parques de Campismo, independentemente do local. Antes de aprofundar-mos mais estas proibições, temos que dizer que toda esta situação nos deixa no mínimo, revoltados e que sinceramente não estávamos à espera de nos ver confrontados com tamanha interferência à nossa liberdade.

Independentemente de todos os problemas que podem existir com o autocaravanismo em Portugal, nada justifica uma medida destas, que afeta diretamente a liberdade de milhares de cidadãos em Portugal, cidadãos esses que pagam os seus impostos como todos os outros e que como tal merecem que as suas liberdades sejam respeitadas e salvaguardadas, principalmente pelo Estado. 

É importante também relembrar que a pernoita das autocaravanas e similares já é proibida em muitos locais, nomeadamente todas as áreas protegidas, locais que podem ser consultados aqui: ONDE POSSO ESTACIONAR, PERNOITAR OU ACAMPAR COM A MINHA AUTOCARAVANA/VAN?, pelo que o lógico será aumentar a fiscalização nestas zonas, visto que são onde existem os problemas atualmente, ou será que existem outros interesses (€) para esta proibição?

Quando se fala desta proibição, levantam-se muitas questões, como por exemplo : ” E se tiver a conduzir, tiver de descansar e não houver ASA?”, ” e se para a localidade que eu for não houver ASA, nem Parques de Campismo?”, ”Como é que querem que vamos para o parque de campismo se estes não tem condições e são caros?”, embora consideremos estas perguntas legitimas, a questão que nos devíamos colocar é outra, que é : ”E se eu quiser estacionar a minha autocaravana e pernoitar, porque não o posso fazer?”

A grande beleza do autocaravanismo é a pluralidade que o caracteriza, de apaixonar pessoas dos 8 aos 80, de permitir férias em conta a pessoas que podem não ter muitas possibilidades financeiras, de permitir que cada um tenha o seu ritmo de viagem e de escolher para onde quer ir e onde quer pernoitar.

Nós somos apologistas da máxima ”a nossa liberdade acaba, onde começa a liberdade do outro’‘ e sempre viajámos de autocaravana com essa mentalidade. Quando viajamos, tentamos sempre que o nosso impacto no meio ambiente e na vida das outras pessoas seja nulo, e isto acontece com a grande maioria dos autocaravanistas, que são pessoas de bem, independentemente de viajarem numa autocaravana de 5.000€ ou de 100.000€. 

Se existem problemas associados à pratica do autocaravanismo, especialmente quando o numero é excessivo e as zonas são áreas naturais protegidas? Claro que sim, mas daí á proibição total da pernoita no território nacional fora dos locais autorizados, vai um longo caminho.

Em relação à diferença entre uma Van e uma autocaravana, no nossa opinião, se houver uma sanita na Van, não existe diferença e como tal ambas devem ter os mesmo direitos e deveres. Se é especial dormitório, ou c/ adaptação habitacional, a situação é a mesma, se tiverem sanita, não vemos razão para uns terem regras diferentes de outros. 

 

Que interesses podem estar subjacentes a estas medidas? 

Há algo que sinceramente não conseguimos perceber com estas novas regras, porquê proibir a pernoita no interior de uma autocaravana, quando para um veiculo ser considerado autocaravana tem necessariamente de ter todas as condições para a pernoita seja feita em segurança? Nomeadamente casa-de-banho e cozinha?

Porquê proibir a pernoita no interior de Autocaravanas e similares em todo o território nacional, se nos sítios onde atualmente existem problemas com o numero excessivo de autocaravanas e vans, esta pernoita já é proibida (Parque natural da Costa Vicentina e do SW Alentejano?

Se já é proibida a pernoita em todas as áreas protegidas em Portugal, bem como num grande número de praias, porque estender a proibição ao resto do território?

Porque é que se eu estiver num estacionamento normal, tiver a pernoitar na minha autocaravana, posso ser  multado, e se tiver uma pessoa a dormir dentro do carro ao meu lado, não é?

Claramente existem interesses subjacentes a estas medidas, em primeiro lugar o Lobby dos Parques de Campismo, que são os principais beneficiados com estas medidas, em segundo lugar, o interesse de todos aqueles que pensam que um autocaravanista em férias, precisa obrigatoriamente de ser taxado de alguma maneira, ou seja, na cabeça de muitos presidentes de Câmara, não é aceitável que uma família viaje de autocaravana para o seu conselho e não pague dormida algo de alguma maneira… ignorando o facto de que alguém que viaje de autocaravana está obrigatoriamente a contribuir para o comercio local, quer quando vai as compras, a restaurantes, bomba de gasolina… e parques de campismo, quando assim o entender.

Passados uns dias da publicação do DL, a AHRESP, Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (da qual a ORBITUR faz pare dos órgãos sociais), que basicamente é a maior associação de turismo em Portugal, veio vangloriar-se por ter partido dessa mesma associação, algumas das pressões que fizeram o governo pôr em prática estas medidas. É possível ver na sua página de FB a publicação, bem como no site.

Convido-vos também a assistir a esta audiência da Federação de Campismo e Montanhismo no Parlamento (2016), em que são notórias as pressões feitas pelos Lobys dos parques de campismo. Pressões essas que muitas vezes usam premissas falsas, claramente enviusadas para favorecem os seus interesses.

A proibição de circulação e de pernoita das autocaravanas em certos locais, nunca pode ser estipulada como resultado de pressões de terceiros, com o intuito de diminuir a liberdade de alguns cidadãos em prol do lucro de outros.

A mudança do Autocaravanismo 

Antes de ‘lutarmos’ contra estas medidas, é necessário primeiro perceber que a prática do Autocaravanismo tem vindo a mudar e que a regulamentação não tem acompanhado esta mudança. Embora nós apenas sejamos autoacaravanistas à 4 anos, a verdade é que já sentimos uma grande mudança, quer no número de autocaravanas a circular em estradas nacionais, quer a nível do mercado de aluguer de autocaravanas, que nessa altura era uma fração do que é atualmente. 

Para além disto, tem vindo a aumentar o número de carrinhas transformadas a circular por Portugal, quer por portugueses, como nós, quer por estrangeiros, que tem vindo para Portugal, vindos principalmente de Inglaterra, França, Alemanha e Espanha, com o intuito de passearem umas semanas, ou mesmo grandes temporadas, atraídos pela enorme beleza do nosso país, facilidade (até à pouco tempo de viajar de carrinha), e do baixo custo de vida.

Todos estes fatores, juntamente com um maior interesse por parte dos Portugueses, em viajar de autocaravana, veio aumentar muito a pressão sentida em alguns locais, esta pressão resulta muitas vezes em dejetos humanos espalhados pelas áreas naturais, causados pela inexistência de casa-de-banho numa carrinha, que se resolve muito facilmente com uma simples sanita, escassez de lugares para outros veículos, em zonas onde por vezes os lugares já são poucos, a passagem de autocaravanas grandes, em vilas pequenas com ruas apertadas e o impacto visual e ambiental que grandes aglomerados de autocaravanas causam.

Estes impactos são sentidos sobretudo no Parque Natural da Costa Vicentina e do SW Alentejano, em certas zonas do Sul do Algarve, em algumas praias do Oeste, e outras no Norte. Fora estes sitio, o que acontece é em algumas alturas especificas, poder haver por vezes demasiadas autocaravanas num sitio, mas nada de relevante. Nestas zonas que referimos, já existem regras que proíbem a pernoita, à exceção de algumas zonas no Algarve, mas que acabam por estar abrangidas muitas vezes por regulamentos municipais que proíbem a pernoita.

Nestas zonas é necessário aumentar a fiscalização, sobretudo em zonas com aglomeração de muitas autocaravanas/vans, e aplicar efetivamente multas se existe acampamento em parques de estacionamento, ou parqueamento em falésias.

É necessário criar nestas zonas infraestruturas de apoio à pratica do autocaravanismo, nomeadamente parques de estacionamento, que podem ser pagos, com valores coerentes (5-10€/dia com serviços) dependendo do local, e com tempo limite de permanência. 

autocaravana

Autocaravanismo Responsável

Estes problemas podiam ser resolvidos apenas com a mudança de comportamento por parte dos intervenientes nesta situação.

  • A pratica do autocaravanismo, ou de qualquer outra forma de turismo itinerante, em Portugal, necessita obrigatoriamente de ser acompanhada pela existência de uma sanita. Se formos de jeep viajar para Marrocos, não haverá certamente problema em deixar um presente num buraco na areia, mas em Portugal, face à densidade populacional e ao número de autocaravanas/vans, fazer necessidades no exterior não poder ser uma opção
  • Em segundo lugar, tem de haver uma alteração na maneira de viajar por parte de algumas pessoas. Não é comportável, ir por exemplo para uma praia da costa vicentina e ficar lá uma ou duas semana no mesmo sitio, num local com mais 50 carrinhas/autocaravanas. Deve haver rotativividade, sobretudo em zonas com outras autocaravanas e se possível, evitar mesmo esse tipo de locais.
  • É necessário, atribuir algum tipo de responsabilidade às empresas de aluguer de autocaravanas. A existência destas empresas é vantajosa, e deve ser encorajada, mas é necessário legislação e controlo em relação a maneira como estes vendem os seus produtos e a informação que dão aos seus clientes. Muitas vezes estas pessoas não tem experiência em viajar de autocaravana, pelo que devem ser informadas dos seus direitos e deveres, bem como as praticas de um autocaravanismo responsável. 
  • É necessário que o Estado aceite a existência das autocaravanas, e que permita aos seus cidadãos, e a todos os estrangeiros que escolham esta maneira de fazer turismo, a pratica do autocaravanismo, com a liberdade máxima possível (sem interferir com a liberdade dos outros).
  • Devem, quando haja vontade por parte do poder autárquico e orçamento disponível, ser criadas infraestruturas para que as autocaravanas possam estacionar e realizar os seus serviços em segurança. No entanto na nossa opinião o aumento de número de ASA’s, é bastante vantajoso, mas não é condição fundamental, pois não é preciso haver uma ASA em cada localidade, o que é preciso acima de tudo é que as autocaravanas possam pernoitar, quanto mais não seja no parque de estacionamento das localidades. Quanto aos serviços, já existem parques de campismo, e ASA’s suficientes, para que uma pessoa em turismo itenerante no nosso país possa fazer as cargas e descargas necessárias. Queremos com isto dizer, que para haver pratica de autocaravanismo não é necessário que sejam construídas dezenas de sítios específicos, a custar 500.000€, por vezes com regras absurdas (ter que pedir a chave em determinado local). As autocaravanas conseguem ser autosuficientes pelo menos durante 2/3 dias, e como forma de turismo itinerante, o movimento faz parte da viagem e o facto de se ter de fazer 20km para ir fazer uns despejos, não é um problema.. 
autocaravana
  • Existem em Portugal  entre 4000 e 5000 autocaravanas, se formos contar o número de carrinhas transformadas, talvez cheguem às 10.000, o que não é um numero assim tão grande, se pensarmos no tamanho de Portugal e do tempo de utilização das viaturas. A estas juntam-se muitas milhares de autocaravanas estrangeiras, que representam 80% das dormidas em parques de Campismo (Fonte), e provavelmente uma percentagem semelhante fora, pelo que é fundamental aumentar a fiscalização a estes intervenientes, sobretudo nas zonas onde existem problemas relacionados com o autocaravanismo, é necessário passar efetivamente multas, e quem seja reincidente, por estar a acampar numa arriba, ou a pernoitar em zonas naturais, deve sofrer consequências, para desencorajar este tipo de comportamentos.

Quanto aos locais onde as autocaravanas podem ou não pernoitar atualmente, nem sempre percebemos a proibição, mas aceitamos que existam. Durante varias vezes nas nossas viagens já fomos confrontados com este tipo de proibições, algumas das quais com todo o sentido, como por exemplo a proibição de circulação em algumas vias de vilas costeiras no Alentejo e Algarve, devido a por vezes serem estreitas, a haverem poucos lugares disponíveis junto às praias, e pelo numero de autocaravanas, que faz com que se não houvesse esta proibição, iriam provavelmente ocupar muitos lugares e impedir o estacionamento de outros veículos.

Por outro lado, existem praias na costa vicentina, por exemplo a praia do Malhão, com muitos lugares, em que não é permitida a pernoita, porquê? Alega-se que está dentro de um Parque Natural, e que por isso é proibido, Parque Natural esse, que está cheio de estufas, com plantações em regime super-intensivo, causando impactos muito negativos ao ambiente. Como já dissemos, se um veiculo pode estacionar durante o dia, é possível pernoitar no mesmo local sem causa impacto.

O que podemos fazer face a estas futuras regras impostas pelo governo?

Esta é a parte realmente importante, pois se não fizermos nada, certamente ninguém o irá fazer e arriscamo-nos a daqui a uns anos vermos esta forma de viajar/viver transformada, para algo bem diferente, com uma fração da liberdade do passado.

Nós não sabemos bem como proceder, em último caso terá obrigatoriamente que haver uma manifestação por parte dos autocaravanistas, junto da Assembleia da Republica, algo que pode parecer um pouco exagerado, especialmente face aos dias em que vivemos, mas trata-se da nossa liberdade. 

É importante perceber que a nível individual nunca vamos ver os nossos direitos assegurados, ou seja é necessário que uma associação sirva de interlocutor entre os autocaravanistas e o Governo. 

É preciso sensibilizar os agentes políticos, nomeadamente a Secretária de Estado da Administração Interna, através de um e-mail ou de uma carta.

É preciso pressionar as Associações, para que tentem tomar posições junto do governo, e que consigam através do dialogo resolver a situação.

Existe também a possibilidade ser feita uma petição com o intuito de chegar o assunto a Assembleia da Republica..

E vocês, o que acham? Que medidas devem tomar os autocaravanistas? Possíveis soluções para este problema? Deixem as vossas opiniões nos comentários. 

ACTUALIZAÇÃO 04/012021

Neste momento já há duas petições a decorrer, vamos deixar o link abaixo: 

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24 thoughts on “O que querem fazer à nossa liberdade? – Uma reflexão sobre um Autocaravanismo Responsável”

  • Excelente
    Penso que a solução passará por uma pressão dos fabricantes a nível da Europa…principalmente Alemanha ,face á quebra de vendas previsível num mercado em expansão…por cá tb uma providência cautelar sobre a alínea da pernoita tripartida pelo representante dos comerciantes a FPA e o CPA alegando inconstitucionalidade no direito de igualdade

  • Penso que já houve uma petição pública, mas talvez não tenha tido a divulgação necessária. Poderia ser uma forma de promover o debate, desde que alguém pudesse representar estas ideias que expõe, muito certas e claras! Têm o meu apoio.

    • Boas Jaime, já existem tantos grupos no Facebook…
      No entanto se houver realmente alguma manifestação, certamente será feito algum evento/grupo para nos organizarmos !

      • Tão bem descrita a nossa situação neste texto,
        muito obrigada. Façam uma página de Facebook para organizar uma manifestação em Lisboa com as nossas autocaravanas a 9/1/21 que lá estaremos. Se não formos unidos não conseguiremos uma retoma dos nossos direitos.

  • Parabéns pelo artigo e pela abordagem direta de alguns pontos importantes. É um artigo que merece ser partilhado exaustivamente para mudar algumas mentalidades.
    Partilhamos da mesma opinião que a solução passará por uma maior sensibilização ao turismo itinerante responsável, sendo crucial antes de mais unir todos os visados e evitar guerras entre autocaravanas, vans e outro veículos similares, porque enquanto a descriminação existir dentro do grupo vai ser difícil combater a discriminação sobre este tipo de turismo. Depois fazer o que acreditamos que a maioria já faz, evitar sítios conflituosos e proibidos, evitar aglomerações de veículos, evitar parques de estacionamento cheios, evitar estadias longas dando preferência a 48/72h no máximo e obviamente deixar o sitio por onde passamos sempre melhor do que o encontramos (a dita sanita química ou composto seco além de económica, cabe em qualquer veiculo e poupa-nos muitas preocupações de procurar sítios com wc por isso é indispensável ), No entanto parece-nos que se estas proibições forem para a frente, vai-se perceber também com o passar do tempo que os principais focos de poluição não se concentravam sobre o turismo itinerante, mas sim na falta de mentalidade e civismo de quem frequenta muito dos sítios que também frequentamos.
    Quanto a nós viajamos para usufruir, não para ter chatices e por isso quando o conseguimos fazer é para podermos “saltitar” livremente quase todos os dias de localidade em localidade. Porque se for para ficar no mesmo sitio uns dias vamos acampar ou para um hotel. Este ano fugimos da costa para o interior como muitos, mas para o ano se isto avançar teremos de repensar bem as rotas.
    Boas viagens e mantenham-se seguros 😉

  • Bom artigo… está mais que na hora de nos revoltarmos contra estes tiranos vendidos no parlamento… urge a organização de manifestações… lamentavelmente as associações ainda não tiveram a capacidade de travar uma luta /guerra (sim guerra porque isto é mais um atentado a nossa liberdade, aproveitada pela proibição de manifestações e deslocações do COVID) contra os poderes instalados. É necessário criar-se união entre autocaravanistas e caravanistas e avançar para a manifestações, bloqueios! De preferência e para começar, ao final de semana uma vez que muitos, trabalham durante a semana no setor privado e não se podem dar ao luxo de faltar. E não se esqueçam das caravanas…. sou caravanista e sou totalmente solidário com esta causa, estamos no mesmo barco. Nem todos os Caravanistas vão para os parques com regularidade, eu conheço, pelo menos três, comigo incluído.

    • Boas Miguel, partilhamos da tua opinião.
      Embora saibamos que não deve ser nada fácil influenciar o governo a tomar as melhores decisões quando existem outros interesses, a verdade é que as Associações não produziram nenhum resultado prático, mesmo com todo o dinheiro de quotas, que certamente deveria dar para pagar a um bom advogado.
      É bom ver esta solidariedade por parte dos caravanistas !

  • Olá a todos! Concordo em pleno com tudo o foi dito e acrescento a minha convicção de que, para salvar esta forma de viajar e potenciar este setor do turismo, devemos chamar a atenção do governo e autarquias para o seu potencial económico e de combate á sasonalidade.
    Num estudo da CCDR Algarve de 2008, foi estimado que, por ano, davam entrada em Portugal apenas pela ponte do Guadiana, mais de 37000 autocaravanas estrangeiras. Não considerando as carrinhas modificadas e o afluxo de autocaravanas vindas por outras estradas e relembrando que esta estimativa foi feita há mais de 12 anos, podemos admitir que este valor será, hoje em dia, várias vezes superior. Assim podemos considerar que o número de dormidas anuais em carrinhas e Autocaravanas em Portugal será certamente de vários milhões. Ora se as autarquias, parques naturais e outras entidades se queixam de falta de financiamento para o seu funcionamento e fiscalização, nomeadamente do autocaravanismo ilegal, porque não juntar o útil ao agradável e criar condições para um autocaravanismo sustentável e ao mesmo tempo criar receita (que não será seguramente pouca)?
    Faço autocaravanismo há mais de 20 anos e o sítio para onde gosto mais de ir é França. Sinto-me bem-vindo, pago a pernoita (entre 6 a 12 euros), tenho as condições todas e em localizações fantásticas. Um dia um francês disse-me: “vocês (portugueses) têm um país lindíssimo mas não percebem nada de autocaravanismo.”
    O caminho é proibir e fiscalizar o autocaravanismo em locais proibidos e criar condições para rentabilizar este mercado gigantesco e em crescimento. Proibir a torto e a direito terá, no futuro, um de dois efeitos (e eu aposto no segundo): diminuição drástica do número de autocaravanas em Portugal com o consequente fim deste mercado ou a continuação da selvajaria que temos assistido por falta de meios para fiscalização. Como dizia o outro: “pode, mas é proibido!”.

  • Belíssimo artigo
    Obrigado
    Concordo com a manif dia 9 de janeiro e proponho irmos de Autocaravana e pernoitar em frente á assembleia da república

  • Obrigado pelas palavras escritas, estou totalmente de acordo. O grande problema aqui é a afronta que estão a fazer à nossa liberdade. E com a grande quantidade de grupos e associações, isto é dividir para reinar, é o que eles querem. Temos de organizar uma federação, associação chamem o que quiserem, mas com vontade de levar o problema em frente. Mas uma só, acho que o nosso interesse é comum a todos, não nos podemos dividir. Li algures por aqui em que faltavam do ACP, também era uma ideia pois são idóneos dia quais já fui associado várias vezes. Acho que temos de marchar a Lisboa mas com as autocaravanas, para a assembleia. Será uma forma de mostrarmos a nossa união, v que anda muito devastada por alguns comentaristas que nem para eles são bons.
    Bem hajam.

  • O grande problema aqui foi a “invasão ” a que fomos sujeitos ao longo destes últimos anos por caravanistas estrangeiros ,tendo sido e este ano de 2020 o culminar da situação , (com o aparecimento do vírus houve um “boom” de pessoas alugar caravanas quer nacionais , quer estrangeiros). Compreendo a revolta das populações locais com esta “invasão”: .o lixo e dejetos largados por qualquer lado, …foi assustador !
    Eu como caravanista ficava chocado com a falta de civismo e irresponsabilidade desta malta…havia zonas que pura e simplesmente só cheiravam a fezes e urina, e a quantidade de papel higiénico espalhado no chão era indiscritível…wc a céu aberto…palavras para descrever isto ? Impunidade, falta de civismo , irresponsabilidade, egoísmo ,e aquela politica do “que se lixe: este país não é nosso e eu so vou estar aqui 1 , ou 2 semanas e amanhã já vou dormir noutro lugar…” Resultado disto : PAGA O JUSTO PELO PECADOR…
    Não quero dizer com isto que estou de acordo com esta afronta a nossa liberdade e aberração de lei, que no fundo , só vai ser mais uma caça á multa! Só pretendo dar a minha opinião sobre os eventos que levaram a esta situação. Boas viagens !

  • Boas.
    Fui caravanista entre 2007 e 2013 essencialmente fora de Portugal e com a família. Dormi em muitas cidades/capitais sempre fora dos parques, sempre discreto e sem deixar qualquer vestígio da minha estadia.
    Dezembro passado voltei a adquirir uma autocaravana, agora só para dois, e ainda estou em choque com este artigo 50-A. É uma lei cega e eventualmente ferida de constitucionalidade.
    A petição à Assembleia, talvez um pouco exaustiva, está muito boa e concordo totalmente. Estou na espetativa em relação à fiscalização e sua aplicabilidade, nomeadamente no que respeita à pernoita, pois o aparcamento até concordo.

  • É assim, para interesse de alguns é desprezado os interesses comuns, normalmente os da Freguesia ou Concelho.
    Matam a galinha dos ovos de ouro em vez de investirem em proveito e interesse da comunidade.
    Como aqui já foi dito, infelizmente a maioria dos autarcas não têm capacidade de perceber e fazer o que poucos e inteligentes fizeram e assim encher os cofres da Autarquia mantendo os autocaravanistas arrumadinhos 🙂
    Há lugar para todos, nem todos sabem é colocar as coisas no seu lugar, ou pelo menos fazer um lugar para as coisas.
    Acerca dos “interesses” dos Parques de Campismo em querer que os autocaravanistas vão para estas instalações, questiono:
    Se eu chegar às 0h30 a um lugar que tem um Parque de Campismo, que devo fazer, visto ser proibido circularem viaturas durante a noite normalmente entre as 0h00 e as 07h00?

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